Notícia e crônica

Notícia e crônica

Gêneros textuais - Notícia e crônica

Texto 1:

Companhia aérea vai testar lugares para passageiros viajarem de pé nos aviões

Uma conhecida companhia aérea europeia, especializada em voos baratos, disse ter planos de oferecer lugares para passageiros viajarem em pé em seus aviões, com passagens que custariam 4 libras (cerca de R$ 10).

A irlandesa Ryanair, que recentemente gerou polêmica ao anunciar que pretendia cobrar 1 libra (cerca de R$ 2,70) pelo uso dos banheiros a bordo dos aviões, afirmou que pretende oferecer as passagens para viagens em pé justamente com os recursos arrecadados na utilização dos sanitários.

O plano é remover as últimas dez fileiras de assentos dos 250 aviões da companhia e substitui-los por 15 fileiras de assentos verticais. Dois banheiros da parte de trás também poderiam ser removidos.

De acordo com o presidente-executivo da Ryanair, Michael O'Leary, testes para avaliar a segurança dos assentos verticais serão realizados no ano que vem.   As mudanças ajudariam a incluir entre 40 e 50 passageiros a mais em cada voo. Os passageiros continuariam usando cintos de segurança, que passariam por cima do ombro, assim como os utilizados atualmente pela tripulação durante os voos.

Disponível em: https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=viajar-de-pe-aviao&id=020175100705

Você acaba de ler uma notícia e  em textos desse tipo apresenta-se um fato, buscando o máximo de veridicidade possível (Por incrível que pareça, essa ideia de viajar de avião ém pé não  foi uma piada!)

  1. Qual o assunto relatado na notícia?
  2. O texto é objetivo ou subjetivo? É pessoal ou impessoal? Há preocupação com a veracidade das informações?
  3. Que função da linguagem é predominante? Justifique.
  4. Encontre, no texto, respostas objetivas às seguintes perguntas:                             

a) Quanto custaria uma passagem para viajar em pé?

b) Com qual objetivo a venda de assentos em pé será realizada pela empresa?

c) Que outra medida já foi tomada pela empresa para aumentar seus ganhos nos voos?

d) Que medidas de segurança serão tomadas para que os passageiros possam viajar em pé?

Texto 2

"PREZADOS PASSAGEIROS,

desejamos chamar vossa atenção para a vantagem que representa viajar de pé em um avião, vantagem esta que não se restringe exclusivamente ao menor preço da passagem. Não, queridos passageiros, há muito mais que isso. Viajar de pé é um novo estilo de vida, uma celebração da espiritualidade.

Para começar, o passageiro que viaja em pé enxerga mais longe na aeronave, enquanto o passageiro comum, sentado, tem sua visão bloqueada pelo assento à frente. Em pé, ele pode ver, por exemplo, dois conhecidos executivos  - de companhias concorrentes-, conversando em voz baixa. Não estará em curso uma fusão, com repercussões na Bolsa de Valores?

O passageiro que viaja em pé tem mais dignidade. Trata-se, aliás, de uma antiga noção. Todos os poemas, todas as canções que convocam os seres humanos falam nisso. Para ficar com um só exemplo, podemos citar o hino da Internacional Comunista, que mobilizava as massas a buscarem a igualdade e a justiça social. E o que diz a letra desse hino? Exatamente isso: "De pé, ó vítimas da fome". De pé, as vítimas já não são mais vítimas, são lutadores destemidos, uma condição que as pessoas podem conquistar em nossos voos a preços módicos.

Finalmente, é preciso dizer: o passageiro que viaja em pé está, por óbvias razões, mais perto de Deus. Os benefícios dessa posição são evidentes. Se, por exemplo, o avião atravessar uma zona de turbulência, todos certamente clamarão pelo Senhor. Mas aqueles que estão em pé têm muito mais chance de ouvir uma voz grave dizendo: "Não temas, meu caro, estou aqui, próximo a ti. Bem-aventurados os que viajam em pé".

E não será, tenham certeza disso, uma gravação."

Disponível em: https://sergyovitro.blogspot.com/2010/11/moacyr-scliar-viajando-em-pe.html

  1. Que semelhanças há entre os dois textos?
  2. Que argumentos são apresentados para convencer os passageiros de que viajar em pé é uma boa ideia?
  3. Há uma precupação com a veracidade das informações prestadas no texto?
  4. Você considera que o autor concorda que viajar de pé é o ideal? Justifique.
  5. Que figura de linguagem o autor utilizou em sua crônica e com que finalidade?          

Texto 3

- Definição de crônica

Originalmente a crônica limitava-se a relatos verídicos e nobres, pois tratava-se da compilação de fatos históricos, apresentados segundo a ordem de sucessão no tempo, como o dia-a-dia da corte, as histórias, os reis, seus atos, etc. Mais tarde, entretanto, grandes escritores, a partir do século XIX passam a cultivá-la, refletindo com argúcia e oportunismo, a vida social, a política, os costumes, o cotidiano, etc. do seu tempo em livros, jornais e folhetins. Contemporaneamente, no jornalismo, em coluna de periódicos, assinada, pode vir em forma de notícias, comentários, algumas vezes críticos e polêmicos, abordando temas ligados a atividades culturais (literatura, teatro, cinema, etc.), políticas, econômicas, de divulgação científica, desportivas, etc.. Atualmente também abrange o noticiário social e mundano. Conforme a esfera social que retrata, recebe o nome de crônica literária, policial, esportiva, política, jornalística, etc.

Quanto ao estilo, geralmente é um texto curto, breve, simples, de interlocução direta com o leitor, com marcas bem típicas da oralidade. Quando predominantemente narrativa, possui trama, quase sempre pouco definida, sem conflitos densos, personagens de pouca densidade psicológica, o que a diferencia do conto. Os motivos, na maior parte, extrai do cotidiano imediato. Além do tipo narrativo, também pode ser do tipo argumentativo ou expositivo, como textos de opinião sobre temas diversos de diversas áreas.

COSTA, Sérgio Roberto. Dicionário de gêneros textuais. Belo Horizonte: Autêntica: 2008.

1. Qual a função da linguagem predominante neste texto e em que elemento da comunicação ele está centrado.

2. Esse texto é um Verbete. Qual o objetivo deste gênero textual?

3. Trata-se de um texto literário ou não literário? Justifique.

Obs.: Você pode pesquisar nos sites abaixo informações sobre texto literário e não literário:

https://www.soliteratura.com.br/texto_literario/

https://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=6125

https://www.youtube.com/watch?v=vvzVWxfv85s&feature=related  (Vídeo de 3min e 13s)

 

Texto 4

O nascimento da crônica

Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.

Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma diria que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopando que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica. [...]

Machado de Assis

Disponível em: https://www.releituras.com/machadodeassis_menu.asp

1. Que semelhança(s) há entre o texto 3 e 4?

2. Em qual deles o tema é tratado com maior objetividade e qual deles é mais subjetivo?

3. A crônica de Machado de Assis é um texto literário ou não literário? Justifique.

4. Assista ao vídeo 5 (Entrevista com Moacyr Scliar e Luís Fernando Veríssimo), na área vídeos, músicas e imagens e, finalizando essa aula sobre crônicas, elabore um conceito para este gênero textual. Caso ainda tenha dúvidas, você poderá pesquisar nos sites abaixo (apenas para auxiliá-lo em sua resposta):

 

Leia as crônicas abaixo apenas pelo prazer da leitura, para relaxar. Se gostar desses ou de algum outro texto lido aqui, deixe um comentário na seção "comentários sobre os textos e atividades", à esquerda das atividades.

Texto 5

O lixo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?

Fonte: Disponível em https://literal.terra.com.br/verissimo/porelemesmo/porelemesmo_lixo.shtml?porelemesmo

Texto 6

TEMPOS MODERNOS

Luiz Fernando Veríssimo

- Mãe, vou casar.
c - Jura, meu filho?! Fico tão feliz! Quem é a moça?
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele? Murilo.
- Você falou Murilo... ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez deu uma parada. No mais, tá tudo otimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo....
- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora...Ou isso...
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...
- E quando eu vou conhecer o meu... a minha... o Murilo?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá! Biscoito... Já gostei dele. Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?
- Por que?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o papai não vai aceitar?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei... se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metades com bigode...
- Mãe, que besteira... hoje em dia... praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... pra poder apresentar pra tua irma.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem??
- Uma tal de Veruska.
- Como?
- Veruska...
- Ah!, bom! Que susto! Pensei que voce tivesse falado Veruska.
- Mãe!!!...
- Tá..., tá..., tudo bem...Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...
- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozoides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hetero. A Veruska.
- Que Veruska?
- Namorada da Bel...
- "Perai". A ex-namorada do teu atual namorado...? a atual namorada da tua irmã... que é minha filha também... que se chama Bel? Isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é... a Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem?
- Da Bel.
- Mas... logo da Bel?! Quer dizer então... que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozoide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska?!?...
- Isso.
- Essa crianca, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por ai...
- Por outro lado, a Bel...,além de mãe, e tia... ou tio... porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatózoide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska...Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska..
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o que?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!!...
- É swing, sim! Uma troca de casais... com os óvulos e os espermatozoides, uma hora no útero de uma, outra hora no utero de outra....
- Mas...
- Mas uns tomates! Isso e um bacanal de ultima geração! E pior... com incesto no meio.
- A Bel e a Veruska so vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozoide... A única coisa que eu entendi? É que...
- Que...?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente vai ser uma MEEERRRDAAA....

 

Texto 7

A Bola

O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro.

Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola.

O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.

- Como é que liga? - perguntou.

- Como, como é que liga? Não se liga.

O garoto procurou dentro do papel de embrulho.

- Não tem manual de instrução?

O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.

- Não precisa manual de instrução.

- O que é que ela faz?

- Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.

- O quê?

- Controla, chuta...

- Ah, então é uma bola.

- Claro que é uma bola.

- Uma bola, bola. Uma bola mesmo.

- Você pensou que fosse o quê?

- Nada, não.

O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente.

O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.

- Filho, olha.

O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.

Disponível em: gtdcronicas2009.blogspot.com/2009/09/cronica-5-bola.html