Barroco - Charges, tirinhas, músicas e poesias para relacionar ao movimento

Barroco - Charges, tirinhas, músicas e poesias para relacionar ao movimento

 

Antíteses

A primeira tirinha, que traz o diálogo entre Deus e Adão, é excelente para trabalhar antíteses. Seguem outros exemplos de figuras e tirinhas/charges que se relacionam.

 

Paradoxo

Antropocentrismo x Teocentrismo

A seta e o alvo

Paulinho Moska

 

Eu falo de amor à vida

Você, de medo da morte

Eu falo da força do acaso

E você, de azar ou sorte

 

Eu ando num labirinto

E você numa estrada em linha reta

Te chamo pra festa

Mas você só quer atingir sua meta

Sua meta

 

É a seta no alvo

Mas o alvo, na certa, não te espera

 

Eu olho pro infinito

E você de óculos escuros

Eu digo: "te amo"

E você só acredita quando eu juro

 

Eu lanço minha alma no espaço

Você pisa os pés na terra

Eu experimento o futuro

E você só lamenta não ser o que era

E o que era?

 

Era a seta no alvo

Mas o alvo, na certa, não te espera

 

Eu grito por liberdade

Você deixa a porta se fechar

Eu quero saber a verdade

E você se preocupa em não se machucar

 

Eu corro todos os riscos

Você diz que não tem mais vontade

Eu me ofereço inteiro

E você se satisfaz com metade

 

É a meta de uma seta no alvo

Mas o alvo, na certa, não te espera

Então me diz qual é a graça

De já saber o fim da estrada

Quando se parte rumo ao nada?

 

Sempre a meta de uma seta no alvo

Mas o alvo, na certa, não te espera

Então me diz qual é a graça

De já saber o fim da estrada

Quando se parte rumo ao nada?

 

Letra disponível em: https://www.paulinhomoska.com.br/site/

Clipe disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=nxhzmCUvkcU

 

Catavento e girassol

Guinga/ Aldir Blanc

 

Meu catavento tem dentro

o que há do lado de fora do teu girassol.

Entre o escancaro e o contido,

eu te pedi sustenido e você riu bemol.

Você só pensa no espaço, eu exigi duração...

Eu sou um gato de subúrbio, você é litorânea.

Quando eu respeito os sinais,

vejo você de patins vindo na contramão

mas quando ataco de macho,

você se faz de capacho e não quer confusão.

Nenhum dos dois se entrega.

Nós não ouvimos conselho:

eu sou você que se vai no sumidouro do espelho.

Eu sou o Engenho de Dentro e você vive no vento do Arpoador.

Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva - o inseto e a flor.

Um torce para Mia Farrow, e o outro é Woody Allen...

Quando assovio uma seresta você dança havaiana.

Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais - scarpin, sorée.

Quando o pau quebra na esquina, você ataca de fina e me oferece em inglês: é fuck you, bate-bronha... e ninguém mete o bedelho,

você sou eu que me vou no sumidouro do espelho.

A paz é feita num motel de alma lavada e passada

pra descobrir logo depois que não serviu pra nada.

Nos dias de carnaval aumentam os desenganos: você vai pra Parati e eu vou pro Cacique de Ramos. Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador, Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor.

Eu sinto muita saudade, você é contemporânea, eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea. Sei que um depende do outro só pra ser diferente, pra se completar.

Sei que um se afasta do outro, no sufoco, somente pra se aproximar.

Cê tem um jeito verde de ser e eu sou meio vermelho

mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho.

Disponível em: https://www2.uol.com.br/leilapinheiro/catavento.htm

 

A instabilidade das coisas no mundo

Gregório de Matos

 

Nasce o sol e não dura mais que um dia.

Depois da luz, se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

 

Porém, se acaba o sol, porque nascia?

Se é tão formosa a luz, porque não dura?

Como a beleza assim se trasfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

 

Mas no sol e na luz falta a firmeza;

Na formosura, não se dê constância

E, na alegria, sinta-se tristeza.

 

Começa o mundo, enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza:

A firmeza somente na inconstância.

Disponível em: https://www.infoescola.com/literatura/barroco-na-literatura/

 

3.2

Soneto de separação

Vinicius de Moraes

 

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

 

Disponível em: https://educacao.uol.com.br/portugues/antologia-poetica-vinicius-de-moraes.jhtm

Interpretado por Camila Morgado: https://www.youtube.com/watch?v=nHsp3mqOUHE

 

3.3

Esquecimento

Florbela Espanca

 

Esse de quem eu era e era meu,

Que foi um sonho e foi realidade,

Que me vestiu a alma de saudade,

Para sempre de mim desapareceu.

 

Tudo em redor então escureceu,

E foi longínqua toda a claridade!

Ceguei... tateio sombras... que ansiedade!

Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

 

Descem em mim poentes de Novembro...

A sombra dos meus olhos, a escurecer...

Veste de roxo e negro os crisântemos...

 

E desse que era meu já me não lembro...

Ah! a doce agonia de esquecer

A lembrar doidamente o que esquecemos...!

Disponível em: https://www.releituras.com/fespanca_esquecimento.asp

 

3.4

O mínimo do máximo

Paulo Leminski

 

Tempo lento,

espaço rápido,

quanto mais penso,

menos capto.

Se não pego isso

que me passa no íntimo,

importa muito?

Rapto o ritmo.

Espaçotempo ávido,

lento espaçodentro,

quando me aproximo,

simplesmente medesfaço,

apenas o mínimo

em matéria de máximo.

Disponível em: https://leaoramos.blogspot.com/2008/01/tempo-lento-espao-rpido-quanto-mais.html